Sete Invernos em Teerão. O retrato de uma mulher que lutou até ao fim
Documentário | 2023
Quando se fala de arte entra-se num terreno subjetivo — uns gostam, outros não —, mas quando se trata de um documentário com o poder de “Sete Invernos em Teerão”, tudo se foca na mensagem e na necessidade de reflexão.
“Como pode um homem compreender a alma devastada de uma mulher após uma violação? Como pode um homem compreender a mente e o corpo em choque de uma mulher enquanto ela está nas mãos de um homem excitado? As leis sobre violação e autodefesa são escritas por homens.”
“Sete Invernos em Teerão”, realizado por Steffi Niederzoll, saiu em 2023, no festival de cinema Berlinale.
A longa-metragem conta a história de Reyhaneh Jabbari, de 19 anos, uma jovem iraniana que após uma tentativa de violação esfaqueia Morteza Abdolali Sarbandi, um antigo trabalhador do governo, que estava na área dos Serviços de Inteligência. Foi presa a 7 de julho de 2007, no Teerão, com ordem de execução, que acabou por se concretizar em 2014.
O nome do documentário vem daí, os setes invernos que Reyhaneh passou na gélida prisão de Evin, conhecida por ser uma das prisões que mais viola os direitos humanos.
A mãe, Shole Pakravan, esteve envolvida desde o início no projeto. Numa entrevista revelou que várias pessoas quiseram fazer um filme sobre a história da sua filha, mas apenas a alemã Steffi Niederzoll lhe transmitiu a confiança necessária para ser a recetora dos vídeos e fotos íntimos da família.
Alguns desses conteúdos mostram momentos intensos do processo: fotos do julgamento, conversas entre Shole e Jalal Sarbandi (filho de Morteza Sarbandi e também quem decidia se Reyhaneh seria perdoada ou executada), o momento em que a jovem liga à mãe a dizer que está a caminho da execução e o seu desespero à frente da prisão à espera de saber o destino da filha.
Para além destes momentos dolorosos, presencia-se durante mais de uma hora a uma sociedade patriarcal e inflexível. Durante os testemunhos, ouvem-se frases como “devia ter deixado que a violasse” ou “Anseio pelo dia em que nenhuma rapariga seja mais violada. Anseio pelo dia em que ninguém se aproveite do seu poder. Anseio pelo dia em que os direitos dos mais fracos não sejam violados apenas por serem fracos. Espero que todos esses desejos se tornem realidade um dia.”
Mas, no meio da escuridão, a luz traspassa nos testemunhos de Reyhaneh através das cartas enviadas da cela. Reyhaneh, mesmo dentro da prisão, continuou a lutar pelos valores que defendia. No testemunho de uma das suas companheiras de cela é recordada pela amabilidade e pela força que transmitia. “Hoje em dia canto a canção que a Reyhaneh cantava à minha filha, Melodie. Com a voz da Reyhaneh a ecoar na minha cabeça”, diz.
Também Shole fez de tudo para salvar a filha, fazendo com que o caso alcançasse dimensões internacionais.
A realizadora espera que através do filme as histórias destas pessoas deixem de ser apenas números e se conheça a vida por trás delas. Há sempre uma mãe como Shole, um pai como Fereydoon, irmãs como Sharare e Shahrzad. Que o público sinta o sofrimento, a violência e também a esperança que existem em cada uma dessas histórias. E que isso nos leve a exigir mais — de nós próprios e dos nossos governos”.
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