"O agente secreto". O cinema como memória
Ambientado em 1977, durante a ditadura militar brasileira, O Agente Secreto (2025), de Kleber Mendonça Filho, acompanha a chegada de um homem perseguido politicamente a Recife, explorando o impacto da vigilância e da repressão no quotidiano. É o segundo filme sobre a ditadura brasileira que chega ao grande ecrã com aclamações nos grandes festivais de cinema.
O filme Neo-noir situa-se no final da década de 1970, período marcado pelo endurecimento dos mecanismos de controlo do regime militar. Ao centrar-se na trajetória de um indivíduo sob perseguição política, a narrativa inscreve-se num cenário nacional em que censura, monitorização e repressão moldavam rotinas e comportamentos.
A história segue Marcelo, interpretado por Wagner Moura, que decide mudar-se para o Recife após ser alvo de vigilância e pressões do aparelho estatal. A mudança de cidade é o ponto de partida para ver como tenta reorganizar a vida, inserindo-se num novo bairro e enfrentando a presença constante de olhares e dispositivos de controlo. A narrativa desenvolve-se de forma gradual, acompanhando interações, deslocações e tensões que revelam a influência da política no espaço doméstico e urbano.
Fiel ao estilo do realizador, O Agente Secreto investe na composição visual e sonora como motores narrativos, o cinema como memória. A recriação da década de 1970 manifesta-se na direção de arte, nos figurinos e na ambientação dos cenários urbanos. O design de som desempenha um papel central, incorporando sons típicos do período e elementos associados à vigilância e ao ambiente político, reforçando o contexto histórico apresentado na narrativa.
O filme teve estreia mundial no Festival de Cannes de 2025, integrando a competição oficial. Ganhou o Prémio Crítica de melhor realizador para Kleber Mendonça Filho, e de Melhor Ator, para Wagner Moura. A receção no festival garantiu-lhe projeção internacional antes da estreia comercial no Brasil, em novembro do mesmo ano. Posteriormente, O Agente Secreto foi selecionado para representar o país na categoria de Melhor Filme Internacional nos Óscares de 2026, consolidando a sua presença no circuito cinematográfico global.
O cinema brasileiro já conseguiu vencer a categoria “Melhor filme internacional”, em 2025, com “Ainda estou aqui” de Walter Salles. Fernanda Torres, atriz brasileira, esteve também nomeada para “Melhor atriz” repetindo o feito da sua mãe, Fernanda Montenegro, que esteve nomeada pelo filme “Central Brasil”,em 1999. Ambos os filmes são do mesmo realizador. Respetivamente, a filha perdeu para Mikey Madison do filme “Anora” e a mãe para Gwyneth Paltrow com o filme “Shakespeare in love”. Contudo, Fernanda Torres conseguiu ganhar o Globo de melhor atriz de Drama, no seu discurso afirmou que “num mundo com tanto medo. E este filme (Ainda estou aqui) ajuda-nos a pensar como sobreviver em momentos duros como este”.
O cinema brasileiro volta a fazer uma ode à memória coletiva de um tempo que não pode ser esquecido.
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